Fundamentos da Educação Infantil — 15/05/2012
A Educação Infantil e o cuidar/ensinar
DISCLAIMER: Este texto trata-se de um trabalho acadêmico antigo, elaborado no período da minha formação e pode não condizer com as minhas opiniões atuais ou oferecer alguma contribuição para um debate contemporâneo. Sendo assim, eu não posso me responsabilizar pelo embasamento teórico mencionado e que serviu somente de orientação para o aprimoramento dos meus conhecimentos. Disponibilizo estes mesmos textos com o intuito meramente para divulgação e como estratégia de criar uma historicidade do meu percurso formativo.
1) Sobre a escola
A Educação Infantil atende crianças de 0 a 5 anos de idade. É dividida em creches até os 3 anos e pré-escola para as crianças de 4 a 5 anos. Para tanto, é preciso uma boa estrutura que forneça os materiais necessários e espaços adequados que garantam um atendimento de qualidade.
O primeiro passo importante é estabelecer ou reforçar o vínculo entre a instituição escolar e as famílias das crianças, lembrando que a Educação Infantil possui duas funções complementares e indissociáveis: o cuidar e o educar, complementando a ação que deve ser feita, concomitantemente, pela família.
A criança precisa de um lugar seguro, acolhedor que atenda às suas necessidades e deve-se ter ambientes favoráveis que estimulem o desenvolvimento integral dela., sendo atendida pela razão/adulto imposta pelo documento do MEC (Ministério da Educação) Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças (97), entre outros documentos que devem nortear o trabalho para torná-lo eficaz no atendimento de creches e pré-escolas: o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (98), por exemplo.
Azevedo e Schnetzler (2001), considera importante que elas sejam estimuladas à curiosidade, à criatividade e desafiadas para construir um conhecimento próprio, a serem autônomas, sempre respeitando o ritmo de cada uma, acreditando no potencial delas.
É de suma importância que ela esteja inserida no nosso contexto social, entendendo que ela possui especificidades, e que além de estar iniciando a sua cidadania, integrando e descobrindo a linguagem como um meio de comunicação, é na brincadeira que permitirá uma maior e melhor adaptação ao meio em que insere, sendo mediada e estimulada em suas novas relações pessoais.
O convívio social, então, é outro aspecto fundamental que deve ser garantido para as crianças de 0 a 5 anos de idade — relações de criança com criança e criança com adulto -, pois essa integração é muito importante nessa etapa de grandes descobertas e indagações. Segundo Secchi e Almeida (2001) a criança é um ser social, que precisa do outro para se desenvolver.
Sobre a construção de um currículo adequado, Kiehn (2001) demonstra que: o currículo pode constituir-se de elementos culturais e conhecimentos construídos historicamente acumulados pela humanidade, considerados preferenciais ou prioritários no sentido de responder as demandas de um determinado contexto social, histórico e cultural. (Kiehn, 2001, p. 3)
Essa preocupação com as crianças e a visão de um ser social, produtor de cultura, é um ganho recente de nossa sociedade. Apenas a partir da década de 80, que a criança foi reconhecida como um indivíduo social ativo, com direitos e deveres como todos os cidadãos, devido as lutas sociais e as manifestações. Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, os papéis atribuídos para cada membro da família mudaram, gerando novas necessidades populacionais. A ampliação de vagas nas creches é uma delas, pelas mães precisarem trabalhar e não ter com quem deixar seus filhos. Hoje se discute uma ampliação maior já que, mesmo com as lutas recorrentes, muitos ficam de fora desse benefício.
Outra dificuldade encontrada na Educação Infantil é a valorização dos profissionais dessa área: professores, diretores, coordenadores e funcionários. Há uma constante necessidade formativa para as pessoas que trabalham diretamente com crianças de 0 a 5 anos de idade. Rivero (2001) afirma que a qualificação profissional é o que falta para melhorarmos a qualidade do atendimento das crianças.
Um dos ganhos pela Constituição de 88 e atuais documentos de políticas públicas de educação infantil é que com a atenção voltada aos direitos das crianças, é dever de todos proteger e garantir os acessos a saúde, ao lazer e a brincadeira. Não é passível de aceitação que uma pessoa sem uma formação mínima possa exercer um trabalho tão específico que é garantir os cuidados e a educação. Sem essa qualificação, há apenas um cuidado de higiene e de suas necessidades pessoais, defasando e negando um direito de desenvolvimento integral.
Para Corrêa (2003) é preciso “superar um antigo e arraigado entendimento que para trabalhar com educação infantil basta ser paciente, “criativo” e gostar de crianças.” Portanto, para professores e coordenadores é necessário o diploma de curso superior de Pedagogia, ou pós-graduação, além de serem todos concursados. E para os funcionários, cursos e outras capacitações sobre as especificidades da Educação Infantil.
A infância deve ser entendida como um direito da criança. Conforme Secchi e Almeida (2001): só tem sentido uma Educação Infantil que não desqualifique o trabalho da criança; que compreenda o seu modo de ser, pensar e se desenvolver; que abra espaços para a criança usar, praticar, experienciar todo o seu potencial inventivo, expressivo e curioso (Secchi; Almeida, 2001, s.p).
Além de o direito de brincar, de aprender, de vivenciar novas experiências, ter acesso aos meios de cultura historicamente desenvolvidos, deve ser acolhida, escutada e protegida. Não apenas na escola, mas também dentro de suas casas. Deve haver uma articulação entre outras secretárias, porque essas parcerias são importantes, como a de cultura e da saúde. Todos devem, juntos, garantir o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físicos, cognitivos, social e emocional.
2) Texto dissertativo
No início dos anos 80, a criança era concebida como um ser incompleto, incapaz de produzir cultura e participar dos espaços sociais como os adultos. Nessa época, o papel do professor era confundido com as atividades dos pais, por exemplo, de moralizar e disciplinar. Somente a partir da Constituição Federal Brasileira de 1988 que a criança passou a ser reconhecida como cidadã com direitos.
O contexto histórico passava por grandes transformações como o fim do golpe militar, a redemocratização, a luta pelos direitos da mulher, decorrendo em uma nova organização familiar onde as mães saem de casa para trabalhar e precisa do atendimento de creches para seus filhos. A criança passa a ser um indivíduo de características próprias, que necessita de proteção de todos os âmbitos seja social, político ou educacional.
Esta grande conquista dos direitos permitiu um avanço nas pesquisas sobre a infância e a importância da educação infantil para o desenvolvimento integral dela. A escola, portanto, não é mais vista como um depósito de crianças, e não só apenas assistencialista para visarmos a criança como sujeito histórico e social.
É na educação infantil que a criança estabelece suas primeiras relações sociais, adquire novos conceitos da sociedade em que vive e garante a preservação da infância como um direito. Segundo Kramer (2006) a educação infantil está “no plano dos direitos sociais da infância e delineiam uma possibilidade de enfrentar o panorama da desigualdade” (KRAMER, 2006, p.803).
Nesse período escolar, ela brinca, associa o que vive e aprende a se organizar. Estabelece uma rotina, aperfeiçoa a linguagem, se comunica, entra em contato com a natureza. A criança na educação infantil garante o seu acesso aos bens socioculturais historicamente acumulados pela sociedade e garante que os bons valores e virtudes sejam permanecidos na geração futura.
3) Palavras-chave
CUIDAR
Para Corrêa (2003), o “cuidado” diz respeito também à maneira de os adultos se relacionarem com as crianças na escola, sendo necessário, pois, tomar a própria criança como centro para a organização do processo educativo. (Corrêa, 2003, p.109).
EDUCAR
Corrêa citando Paro, afirma que a “educação em qualquer dos níveis é mais do que mero processo instrucional ou de informação, devendo-se apresentar como meio de “atualização histórico -cultural do ser humano” (Corrêa, 2003 apud Paro, 1999).
BRINCAR
Segundo Secchi e Almeida (2001) “o brincar é uma atividade social relevante pois possibilita oportunidades singulares para as crianças. Desenvolve sua capacidade imaginativa que se constitui em função interpretativa e compreensiva da realidade.” (Secchi; Almeida, 2001, s.p).