Educação e Trabalho — 24/11/2014

Resistências e emancipações, por meio dos conceitos de KOROL (2006)

Educação e Trabalho — 24/11/2014

DISCLAIMER: Este texto trata-se de um trabalho acadêmico antigo, elaborado no período da minha formação e pode não condizer com as minhas opiniões atuais ou oferecer alguma contribuição para um debate contemporâneo. Sendo assim, eu não posso me responsabilizar pelo embasamento teórico mencionado e que serviu somente de orientação para o aprimoramento dos meus conhecimentos. Disponibilizo estes mesmos textos com o intuito meramente para divulgação e como estratégia de criar uma historicidade do meu percurso formativo.

KOROL, Claudia. Pedagogía de las resistências e de las emancipaciones. Red de Bibliotecas Virtuales de Ciencias Sociales de América Latina y el Caribe de la red CLACSO. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Argentina, 2006.

A autora discute no texto as diversas manifestações que ocorreram na Argentina pós rebelião de dezembro de 2001, classificando-as como necessárias e pioneiras na construção de uma argentina que resiste e protesta contra a hegemonia capitalista de seus governos (ocidental, branca, burguesa, patriarcal, homofóbica, racista, xenofóbica, depredadora da natureza, guerrista e totalitária).

Em um contexto maior, Korol nos leva a pensar que essa identidade de resistência ela é necessária não só representando o presente como também todas as formas de dominação que a Argentina passa desde os tempos de colonização.

Em um resgate histórico, a autora vem reconstruindo a cultura de dominação desde os tempos de colonização até a expansão do neoliberalismo. Os tempos marcados são: colonização em 1512, a revolução de maio de 1810 com a independência libertária, seguido por um período de ditadura, chegando ao estado de reformas políticas e de expansão do sistema capitalista em seu regime neoliberal.

Tratando-se de uma ação profunda de descolonização, Korol coloca o jovem como o ativo nesse processo de frustação do ideário da argentina europeia e branca, descrevendo os efeitos de sobrevivência, no qual os jovens sofrem com as péssimas condições de trabalho, salários, além de dificuldades na formação e no atendimento aos serviços de saúde.

Movimentos sociais

Os movimentos sociais de 2001 foi responsável pela construção de uma identidade de resistência na qual Argentina passa por um processo de mudança da perspectivas da sociedade como um todo. Refletidos nos diversos governos que renunciaram, eleições que foram antecipadas, medidas assistencialistas a fim de acalmar os anseios da população, vem sendo fundamentais para novas maneiras de se relacionar pós argentina rebelada.

Esses movimentos sociais organizado, foi o ponto de distintas indignações frente a crise de representatividade que a política argentina vem enfrentando. No meio das brigas pelo poder, partidária, é que surgem os novos meios de comunicação comunitária, experiências de alfabetização popular, saúde comunitária que vão bem ao encontro da teoria teórico-prática que a autora propõe como projeto emancipatório de educação popular baseada nos princípios do Paulo Freire.

Ação cultural pela liberdade

A autora fala que toda essa luta para mudar o sentido comum na criação de novos princípios, precisa de uma prática pedagógica que vise a educação popular.

Essa pedagogia pode ser considerada a pedagogia dos oprimidos, da resistência e emancipação, que concebe a esperança como uma necessidade ontológica e tem como função principal construir cotidianamente a invenção dos novos possíveis mundos.

A educação popular é entendida principalmente como uma ação cultural pela liberdade, que valoriza o conflito, o diálogo, a pergunta e o coletivo diante das práticas e teorias pedagógicas.

Essa pedagogia busca a compreensão e a transformação do mundo, através do prazer, frente aquelas que separam o desejo da razão. É uma pedagogia da sensibilidade, da ternura, que incorpora os sentimentos, as intuições e as vivencias, vinculando a transformações das relações sociais e a modificação das relações de forças produzidas na práxis, concebidas como uma prática histórica e reflexiva sobre ela mesma.

Segue como exercitando uma pedagogia do exemplo, que faz a reflexão teoria e prática uma base ontológica fundamental. A partir dessa perspectiva pode-se afirmar uma pedagogia anticapitalista, libertária e socialista.

A pedagogia dos oprimidos é realizada como uma prática social dos mesmos, em um processo que ocorre simultaneamente e constroem-se como sujeitos. Nesse sentido é impossível pensar em uma educação popular que se desenvolva fora da práxis histórica e que pensa externamente aos movimentos de luta.

A autora conclui afirmando que com as lutas populares vem surgindo uma nova intelectualidade que precisa ser apoiada e estimulada por meio de pesquisas. Coloca como desafio a necessidade de encontrar novas maneiras de reunir teoria e prática sociais, fecundando novos projetos emancipatórios.