Filosofia da Educação - 02/11/2011

A educação na Sociedade Moderna

Filosofia da Educação - 02/11/2011

DISCLAIMER: Este texto trata-se de um trabalho acadêmico antigo, elaborado no período da minha formação e pode não condizer com as minhas opiniões atuais ou oferecer alguma contribuição para um debate contemporâneo. Sendo assim, eu não posso me responsabilizar pelo embasamento teórico mencionado e que serviu somente de orientação para o aprimoramento dos meus conhecimentos. Disponibilizo estes mesmos textos com o intuito meramente para divulgação e como estratégia de criar uma historicidade do meu percurso formativo.

A educação na Sociedade Moderna

A principal ação transformadora que alavancou o processo de modificação do sistema feudal para a sociedade moderna foi os descobrimentos daquela época, ocorridos nos séculos XV e XVI. Todo conhecimento adquirido sustentava para que houvesse uma mudança para comportar os indivíduos de uma nova sociedade.

Outro ponto a se considerar foi que com o desenvolvimento dessa sociedade, foi preciso uma rearticulação em seus aspectos econômicos, políticos, sociais e educacionais, pois o que destrinchava era o aumento da população e a necessidade imediata de maior produção e, também de uma melhoria em suas vidas.

Essa nova sociedade moderna de que estamos estudando, trata-se da substituição da concentração de riqueza no apodero de terras, para concentrarmos efetivamente no capital — troca de mercadorias por meio do dinheiro.

Foi no momento em que começaram as Cruzadas e as novas rotas marítimas, já que era preciso um novo direcionamento, depois do domínio em que a Itália instalou no mediterrâneo, que começou as primeiras linhas dessa nova sociedade. As consequências não foram tão ruins, conheceram-se novas terras e foi possível introduzir e iniciar as colônias — onde tinha muitas especiarias e ouro, desenvolvendo o mercantilismo, cujo objetivo era acumular riquezas e fortalecer o Estado.

Além disso, houve o início do comércio, que era uma necessidade de quem precisava trocar suas mercadorias (comerciais e artesanais), mas que para sua alimentação ficava escassa e dependente do campo. Foi nesse período também que começava a divisão de trabalho entre campo e cidade.

Com o crescimento do comércio, foi possível o desenvolvimento das cidades, com o destaque para algumas ruas, normalmente cruzamento para a comercialização de seus produtos e o aumento do trabalho para mais pessoas. Entretanto, essas ruas de comércio, ainda se enquadravam ao regime anterior, o sistema feudal, pois os donos das terras cobravam altos impostos pelo empréstimo aos seus habitantes. Ou seja, a

sociedade não mudou totalmente, sem que ainda houvesse características antigas da “velha” sociedade.

A sociedade capitalista possui, entretanto, algumas características próprias, sobrevive na compra dos produtos dos outros, já que não é possível produzir tudo aquilo que precisa, tendo como elementos fundamentais sempre as trocas, a divisão do trabalho e a privatização, cada um a qual suas produções.

Não houve apenas essa mudança naquela época. Ocorria simultaneamente, o afastamento da cultura medieval, dos saberes mistificado, do conhecimento apenas divino, e partia para o conhecimento científico, observado, e para isso tivemos muitos cientistas e filósofos como Descartes, Locke, Bacon etc. que despertava nessa sociedade moderna o anseio pelo conhecimento “puro” justificado e em bases científicas. Nada mais interferiria na criação e, foi nesse momento histórico que surgia uma divisão de classes, com necessidades educacionais diferentes, e onde a cultura religiosa iria sofrer um grande abalo, mais para frente trataremos sobre isso. Voltemos para a mudança dos sistemas.

Os feudos começavam a libertar seus servos — com o maior marco depois da peste negra e a sua valorização para a mão de obra, pois se produzia muito mais do que com o trabalho servil. Apenas tinha o impasse com a igreja, cuja não abriu mão deste tipo de trabalho tão facilmente, gerando vários conflitos. Foi na Baixa Idade Média, então, que surgiu o absolutismo, uma forma que a burguesia encontrou para assegurar toda a sua riqueza, centralizando todo o poder em uma só pessoa, o monarca feudal.

Surgia a necessidade da burguesia de coexistir em um mercado nacional regulamentado, já que não só a igreja começava a abalar o seu sistema, como os nobres também. Foi então, que junto com a Realeza foi possível regulamentar seu mercado e prever novas expansões das atividades econômicas.

Com essas expansões, surgem os primeiros bancos e instituições financeiras para administrar as atividades mercantis. Surgem também os empréstimos e com eles, as altas taxas de juros.

Essas transições não se deram por igual em todos os países, mas poderia se dizer que acarretou de forma igual quando ocorreu, em cada lugar e em épocas diferentes, a sua particular Revolução Industrial, fator principal pelo aceleramento descontrolado desse sistema capitalista e de suas novas reorganizações sociais, que trouxe muitas brigas e conflitos pela posse de poder.

Primeiramente, o capitalista surge na expansão do comércio, onde os artesãos precisam de um novo mediador para vender seus produtos. É com ele que intensifica o

dinheiro e aumenta os lucros. Surge a manufatura, que reúne muitos trabalhadores, cada um executando uma parte do trabalho para acelerar a produção. Com o limite físico dos trabalhadores, surge a máquina. Partimos agora para a chamada Revolução Industrial citada anteriormente — particular em cada país e em seu contexto histórico –, mas que suas consequências se igualam: desqualificação profissional, a entrada da mulher e a criança para o serviço mais barato, o crescimento populacional, a luta das classes operárias pelos seus direitos, etc.

No século XVIII, na Inglaterra, consolida junto às mudanças comerciais, o liberalismo. Ele traz uma nova visão e organização política para a cidade, que passa a se chamar Estado.

No Brasil, a primeira grande mudança do liberalismo e da nova sociedade capitalista foi a separação do estado com a igreja, trazendo muitas transformações sociais e educacionais. O cenário educacional até aquela época ficava com as reformas religiosas: protestantismo e contrarreforma, ou com os preceptores — professores individuais e particulares que ensinavam a elite. E agora, com os imigrantes vindos da Europa, e sua organização social operária para reivindicar seus direitos surgem os conflitos políticos da educação, o movimento escolanovista, que acredita na progressão social via educação, então é dever do estado, dar instrução gratuita, laica, pública e obrigatória, ajudando no progresso social com os conhecimentos básicos e essenciais para o cidadão, com a intenção de igualdade de oportunidades e liberdade, para que não seja justificável o cidadão que não progride e não evolui nas classes sociais, pois a necessidade da nova sociedade é o indivíduo instruído, que sempre se aprimora, e que batalha agora, competindo com todos os outros já que com o ensino garantido, é visado o trabalhador que sempre evolui, que sempre melhora o seu desempenho, e é o estudo a ferramenta que esse indivíduo dispõe para conseguir melhores salários. O que não se esperava era de que a briga pela educação dos escolanovista iria favorecer o sistema burguês e capitalista, totalmente associados ao liberalismo da época.

Essas foram algumas transformações que ocorreram na transição do sistema feudal para uma nova sociedade, a sociedade Capitalista, em seus aspectos econômicos, políticos, sociais e educacionais, que transfere o poder das terras para o poder do dinheiro, onde não houve mudança nos objetivos finais que sempre foi a posse de ter mais e mais. Não importa se mudaram os objetos de valor, sempre o caminho perseguido foi o de competição, talvez alguma característica descendente de nossos ancestrais ou de nossos instintos animais. Nesse novo sistema capitalista já passamos por duas ordens mundiais, separamos o mundo por ocidente, oriente, norte e sul.

Estamos longe de sermos um pouco mais fraternos para pensarmos no coletivo e no crescimento moral do nosso planeta. Por enquanto, ficaremos aqui caminhando e cantando e seguindo a canção, segundo cada qual o que pode oferecer, nesse sistema escravizado de produção e não de evolução.