Filosofia da Educação - 03/07/2011
A Filosofia na Antiguidade
DISCLAIMER: Este texto trata-se de um trabalho acadêmico antigo, elaborado no período da minha formação e pode não condizer com as minhas opiniões atuais ou oferecer alguma contribuição para um debate contemporâneo. Sendo assim, eu não posso me responsabilizar pelo embasamento teórico mencionado e que serviu somente de orientação para o aprimoramento dos meus conhecimentos. Disponibilizo estes mesmos textos com o intuito meramente para divulgação e como estratégia de criar uma historicidade do meu percurso formativo.
A Filosofia na Antiguidade
Os historiadores da Filosofia dizem que ela possui data e local de nascimento: final do século VII e início do século VI antes de cristo, nas colônias gregas da Ásia Menor (particularmente as que formavam uma região denominada Jônia), na cidade de Mileto. E o primeiro filósofo foi Tales de Mileto.
Filosofia de Sócrates
Sócrates nasceu em Atenas por volta de 469 a.C. e foi condenado à morte na mesma cidade em 399 a.C., sob a acusação de que seu pensamento e sua ação estariam corrompendo a juventude ateniense.
Muitos dos filósofos até a modernidade consideram Sócrates o fundador do sentido à palavra Filosofia que, entretanto, não deixou nenhuma obra escrita. Todo o seu conhecimento e suas ideias foram passadas por meio de seus discípulos, aqueles que acreditavam em suas ideias. Porém, muitas destas ideias não passaram apenas um para outro. Cada um deles criavam novas concepções, modos de avaliar a sociedade e o que significava o conceito de Paideia de um modo muito singular e individual, ampliando todo o estudo da Filosofia, sempre deixando a questão abordada em aberto, como indicava todas as interpretações de Sócrates, que eram sempre por perguntas que faziam o sujeito respondê-las encaminhando para a verdade, ou seja, a linha do conhecimento.
O pensamento socrático ficou mais conhecido por intermédio da obra de Platão, particularmente, pelos chamados diálogos socráticos, como afirmam Pedro Angelo Pagni e Divino José da Silva (2007).
Antes de Sócrates, a ideia que se tinha de sociedade era a formação do homem forte e guerreiro, capacitado para aguentar as guerras e preparado para sua morte nas batalhas.
Discutindo suas concepções filosóficas, acreditava-se entre Sócrates e seus Sofistas que o uso da filosofia era para educar o homem para viver na cidade, chamada pólis, que levaria para a harmonia e democracia de toda a sociedade. Usaram o campo educacional para tratar destas questões e foi, então, desde o seu começo, que a filosofia não se tratava só dos problemas políticos e se criava um novo significado para pólis.
Foi preciso uma reformulação de todo o modelo de educação que permanecia na cidade até o século IV. Era preciso mudar a concepção aristocrática que dizia em sua Areté, isto é, a educação só era acessível aos que tinham o sangue divino.
Segundo Pedro Angelo Pagni e Divino José da Silva (2007) “À medida que Atenas se vai transformando em uma sociedade urbana, artesanal, comercial e democrática, a antiga areté perde sentido.”
A nova areté concentra-se na formação política, ética e moral e, neste novo modelo o instrumento fundamental, usado para a formação, é a palavra.
Surgem os sofistas assumem a responsabilidade de ensinar métodos e técnicas para o exercício da palavra. Eles se viam mais como professores do que filósofos, e muitos os consideram como os fundadores da Pedagogia democrática.
Surge a retórica como forma de ensino, considerada a arte de persuadir oferecendo argumentos e definições das coisas (lógoi).
A pedagogia sofista é marcada por sua contribuição política onde é fundamentada pela oposição das ideias, de acordo com Pedro Angelo Pagni e Divino José da Silva (2007):
O que marca a pedagogia sofista é o caráter agonístico, em que o saber está fundado na ideia de oposição e luta dos contrários, o qual se aplica à construção da vida política. É com esse espírito que os sofistas se contrapõem à ideia de que os costumes e as leis não são naturais, como defendiam os aristocratas, mas são “nómos”, isto é, convenção, portanto, próprios de cada sociedade.
Rompem-se os fundamentos religiosos que se encontravam na ideia de direitos divinos e passa-se ser para todos que buscam a habilidade de convencer os cidadãos, ensinados pelos mais velhos e que representavam uma passagem da pólis de sua visão cosmológica para sua visão antropológica.
Sócrates ficou conhecido por duas de suas frases: “Sei que nada sei”, que o tornou o homem mais sábio perante o oráculo de Delfos, e “Conhece-te a ti mesmo” que reforça a sua ideia de que o homem deve ter o domínio próprio emocional, físico e racional porque toda resposta já vem na alma do indivíduo devendo-se apenas manifestá-las.
Sobre a verdade, discute-se entre os sofistas que é toda aquela bem argumentada, que pode ser bem persuasiva. Sócrates usa seus diálogos para quebrar muitas vezes, a verdade de cada um, que em suas perguntas, o sujeito perde a certeza que tinha das coisas, visando a multiplicidade das ideias.
Sócrates usa praças públicas para espalhar o seu conhecimento, e despertar o interesse do povo para seus diálogos reforçando os valores humanos e a individual noção da verdade até chegar à definição procurada chamada maiêutica, que é a arte de dar nascimento às ideias, depois encontrar a epistéme, que vai encontrar a definição universal que só pode ser alcançado pela razão.
Enquanto Sócrates não cobrava pelos seus conhecimentos e cultivava o aprimoramento da alma, os sofistas cobravam e cultivavam o espírito da disputa.
Enfim, para Sócrates o mais importante é o desenvolvimento do autodomínio, capaz de distanciar o homem da natureza animal, que para ele apenas ameaça a vida em sociedade. Por isso, o seu conceito da missão dos filósofos para com a preservação da alma.
Filosofia de Platão
Platão nasceu em Atenas, em 427 a.C., e morreu em 347 a.C. Foi preparado para as guerras, aprendeu música, literatura e retórica. Começou a frequentar o círculo de Sócrates aos vinte anos de idade, tornando crítico da política de sua época.
Todas as suas obras são confundidas com as de Sócrates, já que boa parte delas tem influência socrática. Somente a partir de sua tentativa de encontrar solução para o problema dos conhecimentos, que há uma divisão de suas ideias.
Preocupado com a decadência da Política, os costumes e da Educação, tematiza em duas de suas obras “O banquete” e “A república” soluções para os problemas éticos e políticos de seu tempo. Ele acredita que a falta da ciência, justiça e da virtude é o que causa mais malefícios para a cidade. Queria ele ou que os governantes começassem a filosofar, ou que os filósofos chegassem ao poder, começando, então, a formar filósofos, como o jovem Dionísio.
Assim, Platão afasta dos pensamentos socráticos e cria seu sistema de pensamento e de sua Pedagogia, até hoje tratados na história da filosofia da educação, sustentada pela ideia de justiça, que visa construir um Estado a fim de realçar a virtude do homem.
E o que seria o ideal de cidade justa para Platão? Haveria três estratos: o dos trabalhadores para produzir os materiais necessários; os guardiões para proteger das ameaças; e os governantes para o funcionamento perfeito da cidade por meio das leis.
Na sua teoria da alma, divide-se o corpo em partes, e nelas são encarregadas de desenvolverem capacidades essenciais. Na cabeça, o racional, no tronco o irascível, e no baixo ventre o concupiscente. A primeira tem a função de comandar às outras duas.
E cada uma dessas almas possuem virtudes e estratos. O racional fica com os governantes que usam a sabedoria como virtude. O irascível com os guardiões com sua coragem e prudência. E o concupiscente para os trabalhadores com sua virtude temperança.
Deve-se educar o homem para o desenvolvimento dessas virtudes. Mas de que forma? Ascendendo do mundo das sombras, que seria todo o conhecimento proveniente das imagens e dos sentidos, para o mundo inteligível, das ideias e do verdadeiro conhecimento.
Nesse momento, em que se deixou o mundo das sombras, é que alcançamos o Bem, que permite o homem contemplar as ideias verdadeiras e conhecer, cientificamente, os objetos abstratos.
Segundo Pedro Angelo Pagni e Divino José da Silva (2007) todo conhecimento adquirido fora dos mundos das sombras permanece para sempre, pois se adquire um novo conhecimento abandonando a sua última verdade.
Para finalizar, o ideal de formação humana (Paideia) de Platão é a conversão do homem do mundo sensível para o mundo inteligível, se educando, despertando o conhecimento que habita sua alma, desde o início.
Filosofia de Aristóteles
Aristóteles nasceu em 384 a.C. na cidade de Estagira, na península Calcídica, região colonizada pela Macedônia.
Foi para Atenas e se tornou membro da academia de Platão, até fundar sua escola, o Liceu, onde ministrava suas aulas caminhando como num passeio. Deixou a cidade novamente, refugiando-se em Cálcis, na Ilha de Eubeia, onde morreu em 322 a.C. aos 63 anos.
Entendia a inteligência como o inteligível discutido em Platão, nível o qual todos os homens têm capacidade de chegar, seguindo uma escada movida pelos sentidos até alcança-la. É o caminho para alcançar a experiência, adquirindo a arte e a ciência.
Marcos Vinicius da Cunha (2007) disserta sobre o conhecimento segundo Aristóteles:
Considera que o conhecimento se inicia pelos sentidos e culmina numa sabedoria superior que diz respeito à compreensão da natureza do real, ou seja, dos princípios que regem o ser enquanto ser, em seu significado mais abstrato e puro.
Os conhecimentos de Aristóteles são amplos e abrangentes. Dividia-se em três tipos de saberes: o teorético, o prático e o produtivo.
No plano Teorético incluíam as práticas de todo ser. E essa prática é o que define cada coisa. Tinha quatro causas: o que define ser o que é, sua utilização, seu mecanismo de transformação, e a causa final que remete à finalidade da coisa. E as práticas levam a uma transformação que utiliza uma potência para ser em ato. É assim, também, para o conhecimento.
Para Aristóteles todos tem alma, o que distingue dos seres inanimados que não possuem a capacidade de sentir ou racionar. Mas não há conjunção do corpo e alma, os dois são completamente diferentes e não há como ter harmonia entre os dois. A Alma tem a ver com o conhecimento, a inteligência, enquanto o corpo aos sentidos, aos órgãos.
São as experiências entre um e o outro, que potencializam para a criação do conhecimento verdadeiro. A alma possui uma natureza dupla, a teórica e a prática, o que leva a sua visão de paideia buscar também essa duplicidade.
Para Aristóteles o homem está sem Deus, e cabe ao homem procurar entender o mundo em que se vive e a criação de tudo.
Existem duas formas para alcançar o significado das coisas: pela retórica, fundamentada em argumentos plausíveis, ou pelo silogismo que é o reconhecimento de algo como verdadeiro ou falso, diante de uma análise pelas suas premissas.
O universo é único e finito. Cada ser tem uma essência que não muda. Somente a transformação da potência em ato é que se resultam os fenômenos, somente cujos se transformam, enquanto a essência é inalterada, precisando anteriormente de uma causa eficiente, que seria um agente externo capaz de provocar o movimento para a transformação desse potencial.
Em seu silogismo, encontramos a dialética, que por meio dela podemos conhecer um instrumento criado pelo homem, que se pode ampliar quanto quiser.
Com isso, entendemos seu pensamento pedagógico como um caminho para o racional e humano, para a formação do cidadão prudente, que almeja a felicidade sendo como o equilíbrio entre a virtude e a justiça para então formar a sua paideia justa.
Considerações Finais
Sem dúvida, a Religião, as tradições e os mitos explicavam todas essas coisas, mas suas explicações já não satisfaziam aos que interrogavam sobre as causas da mudança.
Referências Bibliográficas
JONSEN, A. R. A prudência de Aristóteles. São Paulo — Ática, 1999.
CHAUÍ, M. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos à Aristóteles. São Paulo: Brasiliense, 1994. v.I.