Filosofia da Educação — 21/06/2012

Avaliação individual de fim de semestre

Filosofia da Educação — 21/06/2012

DISCLAIMER: Este texto trata-se de um trabalho acadêmico antigo, elaborado no período da minha formação e pode não condizer com as minhas opiniões atuais ou oferecer alguma contribuição para um debate contemporâneo. Sendo assim, eu não posso me responsabilizar pelo embasamento teórico mencionado e que serviu somente de orientação para o aprimoramento dos meus conhecimentos. Disponibilizo estes mesmos textos com o intuito meramente para divulgação e como estratégia de criar uma historicidade do meu percurso formativo.


A origem do homem ainda é vista com muitas indagações sob diversas vértices: ora por natureza religiosa ora por natureza científica. O que na verdade, não distancia do fato de que os homens se humanizaram, e que apenas por gênero de uma espécie, sem o trabalho e sem as relações sociais, muito dificilmente chegariam até mesmo na aquisição de uma linguagem. Portanto, consideremos que o homem não nasce homem, são suas ações de transformação na natureza que permitiram com que houvesse um desenvolvimento mais cognitivo, afastando de nossa origem mais irracional e animal.

A transformação da natureza pelos homens não ocorre de forma natural. Há uma necessidade de adaptação assim como em outras espécies, considerando os seus limites nos seus aspectos físicos e sociais, por exemplo. Qualquer animal, conforme o passar dos anos se adapta ao seu ambiente. Com o homem não foi diferente. As primeiras espécies a ter o andar ereto, com as modificações e o ingerir de novos alimentos, trilhou para que com determinado objetivo, o homem conseguisse preservar sua espécie e seus descendentes.

Para que acontecesse a transformação de forma bem sucedida, o homem precisou desenvolver habilidades, formas de racionalizar, problematizar o que era preciso ser feito e de que maneira, o que gerou a produção das primeiras ferramentas produzidas pela humanidade, e que sua origem parte de um trabalho, coletivo ou não. Outra característica muito marcante, já mencionada para a humanização da nossa espécie, foram as primeiras relações sociais. Elas aconteceram por conta dos agrupamentos feito pelos seres humanos para facilitar a exploração dos recursos da natureza. Então, a produção e as relações sociais são parte da essência humana. E essa essência, em sua particularidade, é a produção do trabalho.

A produção ou o trabalho humano é, então, a principal via de sucesso de humanização do ser humano, o que depreende, concomitantemente, um processo de educação, que visa uma formação da espécie, de técnicas e conteúdos acumulados com o decorrer do tempo. Por isso, reforça a ideia de que o homem não nasce homem, ele se forma homem por um processo educativo, com a construção histórica de suas produções, ou melhor, há uma formação por conta do trabalho acumulado pelos homens.

Este trabalho acumulado permitiu que se percebesse as características de determinadas regiões e terras. Umas apresentavam melhores condições de plantio, outras tinham farta flora que privilegiavam a criação de animais. Assim, partiu-se do princípio de domínio dessas terras, o que mais tarde, levou a sociedade humana afazer parte de uma organização de quem possuía as propriedades (proprietários) e os que não possuíam (não proprietários). Porém, esse acontecimento não ocorreu da noite para o dia, muito já fora produzido pelos homens em questões sociais e de organização para que compreendesse sobre divisões de terras, e já refere-se, então do período feudal da sociedade.

A partir dessa divisão de proprietários e não proprietários, a humanidade caminhou para cada vez mais enfatizar as diferenças e as desigualdades de posse do trabalho acumulado pelos homens. Antes, os homens não podiam parar de trabalhar, já que era uma necessidade vital para o desenvolvimento de sua espécie.Porém, com a apropriação de terras, permitiu com que uma leva da sociedade não precisasse mais, e que pudesse assim, aproveitar apenas dos que não possuíam propriedades. O que levou ao primeiro conceito de valor de troca. O sujeito que não possuir, trabalha para quem possui em troca do direito de se alimentar e um lugar para morar. Considera-se aqui somente um lugar de sobrevivência mínima, em condições precárias.

A educação passa a ser distinta para essas duas classes: uma para os homens proprietários, e outra para os escravos e serviçais. Saviani(2007) conclui que o desenvolvimento da sociedade de classes, especificamente nas suas formas escravista e feudal, consumou a separação entre educação e trabalho.

Esta separação mais tarde, incumbiu que o trabalho manual fosse feito na produção, e somente o intelectual feito nas escolas. Com o advento do capitalismo e do comércio, no contexto da industrialização, foi preciso que até mesmo os homens do trabalho manual possuíssem conhecimentos básicos de sua língua, como conceitos matemáticos e de escrita, e além do mais, conteúdos específicos para que, pudessem manusear as maquinarias e/ou consertá-las. Essa formação de manutenção, partiria das grandes empresas, que são responsáveis de oferecer e treinar esses operários, por meio de cursos profissionalizantes. O que levou a uma dicotomização do ensino: profissional para os trabalhadores e científico para a burguesia. Encaminhando ao que nas sociedades modernas, é a dissociação da teoria com a prática.

A formação humana, seja na profissional ou científica, pressupõe uma reunião de todos os conceitos já estudados pela humanidade historicamente, o que entende-se que toda teoria vem desse acúmulo de conhecimentos adquiridos pela história.Não há, portanto, como a teoria ser dissociada da prática. Porém, quando falamos de uma sociedade na qual a educação é dividida em técnica e outra teórica, há uma perda de significado e o sentido das ações humanas. Duarte(2004) analisa dissertando que essa situação de perda cria uma relação imediatista e pragmática dos conteúdos escolares, fazendo com que os alunos esqueçam o real valor do conhecimento: a aquisição e transmissão da cultura historicamente acumulados. Ainda para o autor, é preciso que haja objetivação, em um questionamento do porquê estou exercendo determinada função na sociedade, podendo efetivar o que se dispôs contribuir, sempre pensando no desenvolvimento maior dos instrumentos e ferramentas disponíveis de sua sociedade, e não apenas como via de adquirir um trabalho e um salário. Somente assim haveria um processo de apropriação da cultura, e conscientização do processo de humanização.

Este processo, porém, está cada vez mais difícil de ser alcançado, pensando em uma sociedade que já aderiu ao sistema de troca de bens de consumo. Isso se dá a medida em que perdemos nosso papel histórico, e ficamos alienados sem participar na construção e formação do homem. Chauí(1999) analisando os estudos de Marx, pode-se constatar três tipos de alienação: a social, na qual o indivíduo não se considera como produtor social; econômica, na qual o salário e os bens de consumos é quem determina o trabalho que ele deve fazer; e a intelectual na qual consideram que as ideias existem por si só, não considerando o homem como o principal produtor de ideias.

Nas sociedades pós-modernas, a situação ainda fica um pouco pior, na qual permanece a alienação, mas agora com as novas tecnologias de informação, esquecendo-se de que essas máquinas e essas tecnologias são acúmulos da produção humana, e fica determinado em uma educação, hoje, que nada mais precisa ser repassado, pressupondo de que a informação já está em toda parte. O indivíduo, passa a ser o principal responsável por não adquirir os conhecimentos necessários para sua sobrevivência, negando-se integralmente, que em aspectos sociais e políticos, nem todos possuem condições iguais de acesso às novas tecnologias de comunicação, e ficam mais alienadas ao acesso cultural.

As escolas tomam posição de depósito de alunos para passar o tempo. A formação profissionalizante passa a ser a única oportunidade de se integrar como cidadão, isso quando o sujeito tem condições de comprar essa formação. Se formos para as regiões mais distantes dos polos capitalistas, centros e principais cidades, a formação as vezes não chega ao fundamental. Acontece que, para as sociedades burguesas, o não acesso a cultura historicamente acumulada impede a ascensão social, o maior medo deles, por parte daqueles não proprietários, ou seja, os da classe trabalhadora.

Referências Bibliográficas

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 11ª edição. São Paulo:Ática, 1999. p.170–172.

DUARTE, Newton. Formação do indivíduo, consciência e alienação: o ser humano na psicologia de A. N. Leontiev. In: Cad. Cedes. Campinas, vol. 24, n. 62, p. 44–63, abril 2004. Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br> Acesso em 05 de junho de2012.

DUARTE, Newton. O lema aprender a aprender nos ideários pedagógicos contemporâneos. In: DUARTE, Newton. Vigotski e o aprender a aprender: crítica às apropriações neoliberais e pós modernas da teoria vigotskiana. ed. rev. e ampl. — Campinas, SP: Autores Associados , 2001. (Coleção educação contemporânea) Versão online para download In: <www.proletariosmarxistas.com> acesso em 13 de maio de 2012.

ENGELS, Friedrich. Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem. Edição eletrônica — Editora Ridendo Castigat Mores (www.jahr.org.br). Disponível em: <www.ebooksbrasil.org> Acesso em 05 de junho de 2012.

SAVIANI, Dermeval. “Trabalho e educação: fundamento ontológicos e históricos”. In: Revista Brasileira de Educação. V.12, N°4, 2007.